Amamentação e retorno ao trabalho

trabalho22

Brincamos no grupo de mães do Maternidade Suave que a maternidade parece muito um jogo de vídeo game, onde cada fase encontramos novas dificuldades, por muitas vezes parecendo mais difícil de lidar do que as anteriores, visto que o que já passou, passou, e o novo costuma ser mais “amedrontador”. E podemos dizer que o retorno ao trabalho é uma das fases mais marcantes do início da maternidade. Somos assoladas por muitas dúvidas, medos, angústias, preocupações e até mesmo culpas por essa separação súbita dos nossos bebês.

No último encontro do Maternidade Suave falamos justamente sobre esse assunto. Assunto este de muita relevância, mas negligenciado, visto que a sociedade nos dá pouco espaço de escuta para esse tema, uma vez que temos que seguir em frente e ponto. No entanto, podemos passar por esse momento amparadas, acompanhadas de forma que o fardo fique mais leve.

Para isso, vou dar aqui algumas dicas e informações que podem lhe ajudar a passar por essa nova fase do videogame de uma maneira mais consciente e tranquilizadora.

Primeiramente vamos entender o que diz a lei. A lei 11.770 de 2008 cria o programa empresa cidadã, destinado a prorrogação da licença-maternidade mediante a concessão de incentivos fiscais. Nela, ela amplia a licença maternidade da mulher para mais 60 dias além dos 120 dias já previstos em lei, totalizando licença maternidade de 180 dias; e prorroga também a licença paternidade em mais 15 dias (totalizando 20 dias), ambas atualizadas pela lei 13.257 de 2016. Ou seja, se sua empresa aderir este programa, você tem direito à esta prorrogação de licença, desde que requeira até o final do primeiro mês após o parto, onde será concedida imediatamente após a fruição da licença-maternidade.

No município do Rio, após o término da licença maternidade a servidora poderá estender seu afastamento por motivo de aleitamento, que poderá ser concedido até a criança completar 1 (um) ano de idade.

No município de São Paulo as servidoras municipais podem chegar 1 hora mais tarde ou sair 1 hora mais cedo para amamentar seus filhos até os 12 meses.

E é recomendado, mas não legislado: pausas para amamentar. Numa jornada de 8 horas, duas pausas de 30 minutos para amamentar ou então para ordenhar. Na empresa, qual trabalhava durante o retorno de minha licença maternidade, eu fazia essas pausas para amamentação, no entanto o local não era dos mais apropriados. Antes mesmo de você retornar ao trabalho, procure saber se na sua empresa existe local adequado para você ordenhar o leite, assim como a existência de freezer para o armazenamento. Algumas poucas empresas possuem lactário em suas dependências, talvez você tenha a sorte de trabalhar numa dessas.

Acredito que a principal dúvida que paira na mente das mães no período de retorno ao trabalho seja com quem vá deixar o seu bebê. Creche, babá, parentes, vizinhos… Por vezes a opção mais desejada não é a possível, pois cada família tem uma realidade financeira e estrutural diferente. Tem mulheres que pensam até em deixar seu trabalho, visto que o custo que terá com os cuidados do bebê, por vezes não compensam o salário que recebe. Gostaria de destacar duas coisas para ser posto na balança no momento dessa escolha. Primeiro, bebês que são cuidados por cuidadores que os conhecem ou os amam possuem um nível de estresse muito menor nessa ruptura com a mãe, do que aqueles que são cuidados por cuidadores comuns. Outro ponto importante é quanto ao sistema imunológico do bebê que estará mais bem preparado para estar em contato constante com outras crianças após os dois anos. E devido a isso, muitos pediatras recomendam aos pais que se possível, até os dois anos, o seu bebê seja cuidado por alguém dentro de suas casas, evitando creches até esse período. Mas é claro que você não precisa morrer de culpa caso precise colocar o seu bebê numa creche, pois na grande maioria das famílias essa seja a opção mais viável. São apenas informações que considero preciosas e que não podem ser esquecidas.

Agora vou dar algumas informações que podem aumentar a sua segurança como mãe neste momento tão delicado.

  • A produção de leite é feita pelo sistema de demanda-suprimento, ou seja, o peito é um fábrica e não um depósito;
  • Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido. Na ausência de sucção é essencial a extração;
  • A prolactina é produzida mais a noite, logo amamentar à noite ajudar manter a produção;
  • Evitar mamadeiras e chupetas. Oferecer o leite em copinhos ou copo de bico rígido;
  • Bebês comportam-se de forma distinta dependendo do cuidador que estiver com ele. Quando você estiver por perto, ele pode se esgoelar logo que você sai da presença dele, mas quando estiver com outro cuidador pode ficar bem tranquilo. Não pense que ele ficará chorando o dia inteiro durante a sua ausência. Esse é um pavor de muitas mães e foi o meu grande medo também.
  • O bebê vai compensar a sua ausência durante o dia, há mamadas mais frequentes durante a noite. Depois até essas mamadas vão se ajustando.

 

-> Armazenamento de Leite

Chegamos ao ponto prático deste assunto. Como armazenar, onde, como ordenhar, qual a melhor bomba, quanto de leite devo oferecer em cada mamada, quanto tempo devo armazenar… Vamos tentar responder essas e outras questões.

  • Será que é necessário ordenhar leite antes de voltar ao trabalho? Eu diria que sim. Algumas semanas antes do retorno ao trabalho, tenta ordenhar com a bomba, de duas a três vezes ao dia após as mamadas do seu bebê. Com isso você garante uma reserva de leite armazenado, já que você não sabe como serão as condições de ordenha no seu trabalho. No início pode parecer pouco leite, mas com o tempo o corpo vai entendendo que você precisará produzir mais e aumentará a produção;
  • Qual seria uma boa quantidade de ordenha?  Bebês que mamam, em geral, mamam de 60 a 120 ml de LM quando estão de fato se alimentando com a mamada. Ou seja, eu indicaria você congelar o leite em porções de 60 ml e com o tempo, você adapta às necessidades do seu bebê.
  • Uma dica legal que recebi nesse período foi, quando ordenhar o leite em casa, congelar em cubos de gelo, pois logo no princípio que o bebê estiver longe de você, ele em geral consome em pequenas quantidades. Assim evita desperdício de LM armazenado;
  • Essa quantidade não aumenta muito a partir dos 6 meses, pois o metabolismo do bebê tende a diminuir e sua eficiência de utilizar da melhor forma aquele leite aumenta. Ao contrário das fórmulas, onde o bebê não adquire essa eficiência e precisa de cada vez maior quantidade de fórmula.
  • Se você ficar fora por umas 9 horas aproximadamente, calcula-se que seu bebê precise de aproximadamente 6 mamadas de 60 ml por dia. Ou seja, 360 ml por dia para bebês que ainda estão na livre demanda.
  • Importante ter um estoque no freezer para o cuidador ir ajustando essa quantidade conforme a demanda do bebê.
  • Posso ordenhar um pouco de leite, armazenar e depois ordenhar novamente no mesmo recipiente? Sim. Você pode ordenhar dentro do vidro, guardar na geladeira e depois ordenhar novamente dentro desse mesmo vidro, num intervalo de 12 horas que este leite está na geladeira, segundo La Leche League;
  • Vocês sabem que o hormônio responsável pela ejeção do leite é a ocitocina, certo? Uma coisa que fazia durante as minhas ordenhas fora de casa era ficar olhando para fotinho da minha filha enquanto ordenhava e acredito que isso possa ter contribuído para a eficaz ejeção do meu leite. No entanto, tem mulheres que podem ficar depressivas ao visualizar a fotinho do seu bebê. Logo é uma estratégia que varia de mulher para mulher. Tenta se perceber, se respeitar e ver como seria isso para você;
  • Se no seu ambiente de trabalho tiver freezer para armazenar o leite, identifique o leite e deixe congelar de um dia para o outro, e leve este leite no dia seguinte da ordenha para casa de forma congelada dentro do cooler.
  • Logo no início, você sentirá a necessidade de ordenhar umas 3 vezes ao dia, mas conforme o tempo for passando, essa necessidade diminui e você passa ordenhar 2 vezes ao dia e por fim uma vez ao dia;
  • Quando você não conseguir ordenhar no trabalho, ao chegar em casa, enquanto você der de mamar numa mama, ordenha a outra com a bomba. Assim evita o desperdício de leite e você se alivia de uma vez só as duas mamas;
  • Qual a melhor bomba de leite? Gosto muito da bomba elétrica swing da Medela. Eu comprei na amazon. Na época que comprei, nas minhas pesquisas era a mais recomendada pelos especialistas, mas ela é um pouco cara e pode não ser de acesso a todos. Então diria que a melhor bomba mesmo são nossas mãos! Sabendo fazer, ordenha até de forma mais rápida que a bomba elétrica. Aqui tem um vídeo de ordenha que gosto bastante. E aqui  e aqui são dois vídeos ensinando a dar leite materno no copinho.

Quanto ao tempo de armazenamento existem muitas tabelas a seguir. A tabela do Ministério da Saúde em geral é mais conservadora, pois ela considera não só os problemas de fornecimento de energia elétrica da população como um todo, assim como não dá para garantir a assepsia na extração do leite, já que estamos falando de realidades diversas.

Segue abaixo algumas tabelas de referência:

  1. Ministério da Saúde: Duração de 12 horas guardados na geladeira e 15 dias estocado no freezer ou congelador. Aqui nesse link você encontra uma Cartilha do Ministério da Saúde para mães que amamentam que pode ser de grande valia.
  2. La Leche League:

la leche league

  1. Medela:

storageguidelines_medela

  1. GVA: Grupo Virtual de Amamentação

gva

 

Bem basicamente foi um pouco disso que discutimos no último encontro do Maternidade Suave. Espero que tenha ajudado e tranquilizado as mulheres que estão para retornar ao trabalho, pois sei o quanto delicado é esse momento. Dia 30/04/16 teremos mais um encontro do grupo com um tema super atual que pode ser visto na página do Maternidade Suave do facebook. Venha e traga suas dúvidas e anseios!

Beijo grande!

 

 

 

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